terça-feira, 28 de setembro de 2010

Ás de Copas


O calor está infernal. Os corpos tomados pelo suor são envolvidos numa atmosfera de excitação, resultado da união de batidas frenéticas extremamente dançantes e os jogos de luzes. Mesmo assim, o público parece não estar nem próximo de se cansar, e muito menos perder a animação, quando a vocalista Cacá V e o guitarrista Alec Ventura começam a cantar energicamente os primeiros versos de “King Of The Night”. A platéia estupefata dá início às palmas e uma cantoria uníssona quase gritada, deixando no ar uma química contagiante.

“Looks like he wanna be the king of the night...”, nesse exato momento dá-se uma pequena pausa. Cacá salta em meio à multidão, que de meros dançarinos pseudo-cantores passam a coadjuvantes da festa, e a banda parte para o refrão como um golpe sonoro. O público explode num frenesi dançante ao redor da vocalista, suas três borboletas coloridas tatuadas no braço esquerdo multiplicam e misturam-se ao movimento elétrico de todos que estão na pista. “É isso a balada do Copacabana Club”, brinca Cacá.

O que antes seria apenas uma banda entre amigos por pura diversão, agora concretiza-se como assunto sério com o lançamento do primeiro disco. Em menos de quatro anos, os curitibanos do Copacabana Club tornaram-se uma das grandes promessas da música nacional, posição conquistada por um “boom” acidental, surpreendendo tanto seus integrantes quanto a mídia especializada. “Quando a gente começou, eu mal sabia cantar e tocar qualquer instrumento”, conta Cacá V, a carismática vocalista do quinteto, “Nunca tive uma banda antes. O Copa foi um projeto pra gente se divertir e ser mais um tipo de escape, um hobby”, completa.

Hobby que não poderia ser mais dançante. Batido em liquidificador, a banda faz um rock alternativo de mistura saborosa e bem energética, reflexo do gosto musical democrático de seus integrantes: vai de Beatles a Primal Scream, passando de Stevie Wonder para Stereolabs e LCD Soundsystem, acrescentando também um toque de brasilidade dos anos 70, como Jorge Ben. “Cada um tem suas influências e gosta de um tipo de som, e no final dá uma soma bem legal”, comenta Cacá. Com tanta sonoridade, classificar o Copacabana Club não é tarefa fácil; tanto que colocá-los como rock alternativo é uma das possíveis soluções, como para com tantas outras bandas.

Em meados dos anos 1980, o rock alternativo tornou-se uma saída simples para enquadrar bandas independentes influenciadas pelo punk rock e os sons que se desenvolveram depois, como o pós-punk e o new wave. A cena pertencia aos pequenos clubes, com aparições mais modestas, uma ou outra música alcançando o ponto mais alto das paradas e ocasionalmente recebendo críticas em publicações mais influentes. Hoje a história muda, mas nem tanto: grande parte das bandas independentes continua nos pequenos bares, os selos independentes ainda estão por aí, algumas bandas dão mais sorte que outras, mas a visibilidade e o hype aumentaram consideravelmente com a internet e as redes sociais, como o MySpace.

Dos anos 1990 aos 2000 mais bandas começaram a ganhar reconhecimento, como Radiohead, The Strokes, The Killers, The White Stripes e Yeah Yeah Yeahs. Sons que de uns anos para cá tomam as pistas das baladas alternativas, muito conhecidas pela Rua Augusta, em São Paulo, que também serve de celeiro para novas bandas, mesmo com influências e sonoridades, às vezes, completamente distintas. “Ter uma banda que todo mundo conhece e se estabelecer nesse espaço é mais difícil, porque é tanta gente, tanta banda legal, tanta coisa acontecendo que você tem que ser mais que genial para ficar nesse lugar”, analisa Cacá, considerando-se ainda uma novata na área com seus três anos de estrada.

Em 2007, após voltar de uma temporada de cinco anos em Londres, o vocalista e guitarrista Alessandro Oliveira – Alec Ventura – encontrou num bar o também guitarrista Luciano Frank, antigo companheiro de banda. Desse encontro informal, os dois decidiram montar uma nova banda juntos, e logo de cara convidaram a baterista Cláudia Bukowski, que já havia tocado com Luciano em outra banda. A vocalista Camila Cornelsen – Cacá V - estava ao lado durante o convite, entretanto com ela foi um pouco diferente. “Eu acabei me convidando para entrar no Copacabana”, relembra Cacá, que completa em tom repressor: “Eu não admitia que eles ficassem falando de montar uma banda sem mim” e cai na risada. Em junho de 2007, dois meses depois dos convites boêmios e alguns ensaios, foi a vez de Tile Douglas assumir os baixos, completando a sonoridade do Copacabana Club. Em pouco tempo a banda já contava com quatro faixas para o lançamento do EP “King Of The Night”, de 2008.

De lá para cá o caminho foi de ascensão: capa do caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo, vencedores do projeto Levi's Music 2009, apareceram em vinhetas da MTV e indicação para no VMB 2009, principal premiação da MTV brasileira; esse ano fizeram uma pequena turnê pelos Estados Unidos e agora disputam o Prêmio Multishow. Tudo isso conquistado apenas com um EP, crescente número de visualizações no MySpace e o clipe de “Just Do It”. Quando pergunto da rápida repercussão da banda, Cacá responde enfática: “A gente não esperava. Eu não imaginava que em tão pouco tempo a banda tomasse tanto tempo da minha vida”.

Mesmo com o repentino sucesso, os Copas não viviam completamente da música. “Todo mundo tem alguma coisa para fazer, sabe?” comenta Cacá que trabalha com fotografia, e considerava a carreira na música antes como um plano C. Há pouco tempo, Tile teve que optar entre o emprego fixo em Curitiba e a banda, devido à dificuldade de conciliação; diferente do novo guitarrista Rafael Martins, jornalista e com horários mais flexíveis que os demais integrantes. “Ainda não conseguimos nos desprender tanto porque não ganhamos o suficiente”, explica.

E foi graças à soma dos empregos e das apresentações pelo Brasil que o Copacabana foi capaz de fazer sua primeira turnê internacional, com passagem por Nova York, Boston, Filadélfia e também pelo renomado festival independente South By Southwest, em Austin, Texas: “Como é independente, eles não te pagam nada. E a gente já tinha decidido que iríamos de qualquer maneira, então juntamos nossos cachês e economias”, conta Cacá. Dessa oportunidade, a banda conseguiu mostrar o que trazem de melhor: a energia do vivo, também servindo de termômetro para as músicas. “Foi como se a gente tivesse que tocar todas as nossas músicas do zero”, relembra, “Lá ninguém conhecia nada, então foi bom para gente testar algumas músicas que já tínhamos feito”, completa a vocalista.

No embalo da turnê e aproveitando o amadurecimento das músicas, os Copas finalmente lançaram seu disco de estreia, o aguardado Tropical Splash. Ao perceber a força do ao vivo, o desafio foi transmitir essa energia e descontração dos palcos para o estúdio. “Por mais que seja legal ao vivo, às vezes é difícil fazer isso sem soar estranho ou cafona”, garante Cacá, e acrescenta: “temos conseguido explorar de uma maneira legal essa nossa força dos palcos”. Depois de um ano e três meses de gravação e produção, a banda não via a hora de ter o produto final em mãos e ouvidos, independentemente do formato. “Seja da forma que for: digital, físico, gravadora, independente, nossa ideia era apenas lançar”, afirma a vocalista, que continua com uma autocobrança: “Já estava mais que na hora de lançar um disco”. Ao ser questionada sobre o momento que vive no Copacabana Club, Cacá demonstra-se realmente satisfeita ao repensar sua vida. “De certa forma eu sempre tive vontade de fazer música, só não sabia como. De repente o Copa foi a oportunidade perfeita para isso.”



Texto publicado no Vitroleiros

Um comentário:

russianbrides disse...

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