sexta-feira, 26 de março de 2010

Neil Gaiman no Oscar 2010


Até parece que esqueci o Calango, mas não. Passei dias e dias sofrendo devido a falta de atualização, infelizmente o tempo não me deixava. Dizem que não existe essa, concordo, mas quando aparecia um momento para o ócio, jamais dispediçava.

Sem maiores delongas, o post de hoje é na verdade uma indicação de um texto muito bacana que li no jornal britânico Guardian. Não serial bacana ler sobre o Oscar 2010 do ponto de vista de alguma celebridade? Sim, sempre é legal. Agora, não vemos muitas por aí com uma coluna em um dos maiores jornais britânicos. O escritor Neil Gaiman tem, e o mais legal de tudo, ele fez seu post sobre a experiência Oscar 2010. Tudo bem, ele não é uma celebridade, mas é alguém que escreve incrivelmente bem e merece um destaque por seu texto (e também por todos suas histórias).

Segue um pequeno trecho traduzido por mim:

"É o caos controlado.

Estou em pé inexpressivo, percebendo que não tenho ideia alguma do que fazer agora, mas as mulheres se parecem com borboletas, e há pessoas nas arquibancadas gritando para cada limousine que aparece. Alguém diz: "Neil?"

É Deette, da Focus. "Acabo de levar Henry. Que bela coincidência. Gostaria que eu o acompanhasse?"

Eu gostaria muito. Ela pergunta se eu gostaria de passar pelas câmeras, e digo que sim, pois minha noiva está na Austrália e minhas filhas estão assistindo pela TV, e Kambriel ficaria feliz em ver seu paletó na televisão.

Entramos na multidão, atrás de alguém em um belo vestido. Parece a aquarela de um sonho. Não faço ideia quem é quem, com exceção de Steve Carell, porque ele parece com Steve Carell da televisão, só que um pouquinho menos alaranjado.

Somo expremidos assim que passamos pelos detectores de metal, e o belíssimo vestido aquarela é pisoteado, e a dama que o veste está atenta a isso.

Pergunto a Deette quem está dentro do vestido, e ela me diz que é Rachel McAdams. Eu quero dizer olá - Rachel disse coisas agradáveis a meu respeito em entrevistas -, mas ela está a trabalho agora. Eu não. Ninguém quer tirar minha foto, ou, como descobre Deette, me entrevistar. Sou invisível."


Veja o texto completo aqui.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Metal Total


Apenas para mostrar a alegria de uma trabalho quase completo, com muito tempo de pesquisa, resenhas e indicação musical.

Foi complicado. No final tudo dá certo e fica bem legal.

Brasil - Faster, Harder, Louder

Confiram.

Feito com suor e metal.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Antes do ano que nunca terminou...


Vaias e Aplausos

Alegria, alegria, em meio à roda viva de um público caloroso e decidido a pontear até a última nota de seu artista preferido. Esse era o cenário, em 1967, para a final do III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, realizado no Teatro Paramount. Mais que uma final de competição - para não dizer uma guerra de torcidas -, havia certo tom de preparação para os anos decorrentes: mais festivais, o tão próximo ano de 1968 e os rumos da MPB; o festival estaria marcado para sempre na história musical brasileira, não seria como um simples passeio de domingo no parque.

Mesmo com uma produção simples e modesta, deu-se a abertura da final em meio a um lotado teatro no centro de São Paulo; afinal, estavam pela música, e não pela decoração e fogos de artifício. A luta pelo grande prêmio seria disputada entre os que se tornariam gigantes da música popular brasileira, além de reconhecidos mundialmente: Caetano, Gil com Mutantes, Chico, a pimentinha Elis e o futuro rei Roberto, ainda na época que usava preto.

Entre vaias e aplausos, não sabendo em qual havia mais força, apresentavam-se os artistas em conjunto a coro uníssono e histeria ou com direito a mais vaias e aplausos ou até mesmo predestinações de “já ganhou”. Veloso, Gil e os Mutantes mostraram uma mistura saborosa do tradicional e nacional com o novo; um diálogo entre suas raízes e recentes paixões. O calor do público conseguiu expulsar Sérgio Ricardo, o que resultou na atitude mais iê-iê-iê de todos, massacrar o próprio violão e jogá-lo na multidão. Mas pareceu que nada pôde comparar-se aos grandes vencedores da noite: Edu Lobo, Marília Medalha e Quarteto Novo, com a aplaudida e reverenciada Ponteio. Saímos com duas certezas. Nada mais foi igual. E Jair Rodrigues foi o maior showman entre tantos.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Resultados

Aqui já estava a criar teias pelos cantos de tanto tempo que não tocava uma só palavra pela tela. Foi praticamente impossível escrever durante a viagem que segui por cerca de 23 dias. Especificamente por dois motivos: 1) quase não tive tempo de usar computador/internet e 2) sinto até frio na espinha com os teclados que encontrei pelo caminho, não por sua sujeira - isso é de se relevar -, mas a troca de letras e falta de acentos deixava a beleza da escrita como uma das piores torturas encontradas na face da Terra.

Agora, alguns dias depois, quase que exatos sete dias de meu retorno às terras tupiniquins, decido colocar em prática a escrita on-line de tudo que fiz pessoalmente e registei da forma mais arcaica possível, no papel. Não que tive grandes aventuras e perseguições em alta velocidade, afinal, estava viajando sozinho e andando muito a pé.

O que falar de resultados? Chega a ser complicado explicar tudo que pensei durante passeios, vistas, correria, calor e frio, frio e calor com chuva, sem contar das reflexões. Uma coisa tenho certeza, não da para ser o mesmo. De uma forma estranha voltei diferente, com pensamentos diferentes, mais leve, mais querendo conhecer coisas, ler coisas e ainda com a mesma sede da música. Sair de casa - casa entenda a cidade, pois nunca estou cansado da minha casa de fato -, mudar os ares e ficar um pouco distante de tudo aquilo que estava me prendendo - como uma âncora. Não há nada melhor do que se livrar um pouco de um peso que, caso ficasse, me deixaria cada vez mais preso e talvez irritado.

Foi uma viagem, que mesmo sozinho, deu para melhorar, conhecer pessoas diferentes, com pensamentos diferentes, com costumes e culturas diferentes e gostos podendo ser diferentes ou não. Faltava um pouco de vida a uma pessoas que gosta de viver, mesmo de forma diferente e única. Era o tempero que faltava - mesmo eu não gostando de temperar saladas - para que eu pudesse melhorar, enxengar as coisas de forma diferente - não diferente, mas melhor, mais bacana - e dar um grande valor a toda a experiência conquistada e principalmente à vida.

Mudar é interessante, estar bem é melhor do que qualquer coisa.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Aquele que não via

Voltava seus olhos para todos os cantos da sala.

Sentia-se observado.

Não havia devidamente ninguém no recinto;

Talvez uma mosca camuflada pelas paredes

Ou outro pequeno inseto - se puder ser chamado assim - passeando entre sua mobília.

Talvez;

Por que não?

Enquanto procurava

O ser,

Que talvez não estivesse em seu alcance,

Tremia;

Mas não sabia,

Por medo

Ou excitação?

domingo, 28 de junho de 2009

Sabichão

A internet parece encorajar muitos de seus usuários. Pessoas que jamais falariam certas coisas, ou assuntos, "na cara" de outras são envolvidas por uma intensa aura de falarem o que bem entendem. Tá, isso até pode ser legal para pessoas que são extremamente tímidas e reclusas, mas não vejo tanto por esse lado. O que entra em questão são as pessoas que não sabem usar esse meio; não que não saiba usar, usa de maneira estúpida.

O mais interessante da rede é poder mostrar sua opinião de maneira livre. Le quem quer, acredita quem quiser, concorda se estiver de acordo e pode até mesmo opinar, assim, continuando com as livres opiniões. É nesse meio que entram os "encorajados", aquela raça de espertinhos que acreditam que são o rei do mundo (não o Leonardo Di Caprio) e possuem respostas afiadíssimas para qualquer assunto que desejam comentar ou acreditam que sabem mais do que o autor.

Espertinhos, nerds, sabichões, chatos; seja qual for o nome dado, eles sempre estarão soltos na rede em busca de alguma crítica pouco interessante para quem tenha escrito. A impressão que fica é, que além de sempre achar o seu ponto de vista não é válido, eles escrevem aquilo achando um máximo e depois daquele momento estarão abalando na internet. A armadilha, algo que essas bestas famintas desejam, é a resposta de quem está sendo criticado. Uma vez respondendo, independentemente do tom, você acaba de alimentar aquela fera da internet. Ele esperava por esse momento, impacientemente.

Descobri que não há maneira de escapar (até mesmo com este texto estou pondo minha cara à tapa). Talvez apenas um jeito de não se aborrecer com os comentários importunos desses seres: ignorando, ou para os desbocados, "foda-se". A melhor maneira de virar o jogo e deixar espertinhos irritadíssimos é ignorar. Eles irão descabelar-se solitariamente todas as horas possíveis aguardando sua resposta, seja qual ela for. Caso queira enfrentá-los, o jeito é usar ironia, outra forma infalível.

Eles estão por aí.